O Balancete Analítico Deve Ser Informativo e Não Apenas um Documento Numérico
Contabilidade não é apenas cumprir o fisco. É informar, orientar e dar visão.
No exercício da contabilidade, é cada vez mais comum observarmos uma prática perigosa: a contabilidade feita apenas para cumprimento fiscal. Lança-se, apura-se, fecha-se o mês ou o ano, submete-se a declaração e pronto. Missão “cumprida”.
Mas a verdade é esta:
- Cumprir o fisco não é sinónimo de fazer boa contabilidade.
- Apurar resultado não é sinónimo de informar.
- Fechar balancete não é sinónimo de organizar.
A contabilidade nasce para informar, explicar e orientar a gestão, e só depois para cumprir obrigações legais. Quando invertemos essa lógica, transformamos a contabilidade num simples acto burocrático – e isso mata o seu verdadeiro valor.
1. O erro de origem: contabilidade feita só para cumprir obrigação fiscal
Quando a contabilidade é feita apenas com foco no cumprimento fiscal, o processo costuma ser assim:
- recolhe-se documentos (às vezes incompletos),
- lança-se rapidamente,
- apura-se o IVA, o IRT, o IPU, o imposto industrial,
- fecha-se o mês,
- entrega-se a declaração.
Tecnicamente pode estar correcto, mas informativamente é pobre.
2. O balancete analítico: não é para “bater”, é para explicar
Se o teu balancete apenas mostra valores e não mostra quem são os intervenientes, ele falhou na sua missão.
3. O problema clássico: lançar tudo numa única conta
É extremamente comum vermos lançamentos genéricos como:
- Débito: Compras
- Crédito: Fornecedores
Sem identificação dos intervenientes, a empresa perde visão e o gestor perde leitura.
4. A solução profissional: subcontas individuais
Boa contabilidade não é complicar, é organizar. Criar subcontas individuais, exemplo por fornecedor, por cliente por bancos e outras, permite analisar dependência, frequência, risco e oportunidades.
Veja um Exemplo: Aqui conseguimos ver as contas sub contas individuais para cada um, deixando assim claro e fácil de perceber a operação de forma particular.



5. Contabilidade não é só registar. É explicar.
Se só tu entendes o teu balancete, então ele está mal feito. A contabilidade é linguagem económica e deve ser clara para todos.
6. Continuidade profissional
Um dia outro contabilista vai entrar na empresa. Ele deve conseguir entender facilmente o que foi feito. Contabilidade bem feita continua, mesmo sem o autor.
7. O balancete como mapa da movimentação do capital
O balancete mostra onde o dinheiro entrou, onde saiu, em que foi aplicado e com que retorno.
8. Responsabilidade do empresário
Muitas contabilidades são fracas porque os empresários são desorganizados: Não estrutura uma equipa devida, misturam despesas pessoais, não organizam documentos, usam contas da empresa de forma indevida.
9. Apelo directo aos empresários
A contabilidade não é inimiga, é bússola. Serve para decidir, orientar investimento e evitar perdas.
10. Contabilidade para informar – mudança de mentalidade
Passo 1 – Mudar o objectivo: de cumprir para entender.
Passo 2 – Estruturar o plano de contas.
Passo 3 – Detalhar lançamentos.
Passo 4 – Organizar documentos.
Passo 5 – Separar empresa de pessoa.
Passo 6 – Pensar no próximo contabilista.
11. Conclusão
O balancete pode ser apenas um quadro de números ou um verdadeiro relatório silencioso da vida da empresa. A pergunta certa é: O seu balancete explica ?

